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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Manual do aluno: bom de prova e gatuno! [10 + Fim]

#10 - O resumo da ópera

Parece ridículo tudo isso que eu disse, não? Mas é a verdade; estudar é, nada mais nada menos que um jogo de autoconfiança e autoafirmação: você não precisa ser um Deus Ex Machina, mas é essencial que tenha postura de adulto quando é preciso ter e, mais essencial ainda, é saber que, se você não consegue fazer um trabalho no dia de semana, não vai conseguir ser feliz aos feriados; então, relaxe. Estresse faz parte, mas ele existe muito mais quando o criamos...

Estudar, meu amigo(a), faz parte do ofício de ser bicho-homem, mas esse trabalho não exclui, em absoluto, os tempos de relaxo e descanso que nos são inerentes. Após passarmos juntos por esses outros 9 itens, talvez a impressão que fique é que eu sou um maldito queridinho-da-professora que faz tudo certo, mas aí que está: eu, você - nós - não somos certinhos, não fazemos tudo certo e, inclusive, fazemos questão de mandar tudo para as cucuias de tempos em tempos, só para descansar um tiquinho a mais! Então, meu bem, beijos e me liga muito que esse find tem buatchy! rsrs

#O Fim

E todos esses posts culminaram em algo que eu quero destacar e que combina com meus ideais:
Se você quer ser diferente, antes de tudo, garanta sua cabeça, porque ninguém dá valor a um ignorante, quem dirá a um fancy idiot!
Até a próxima sequência de posts, cidadãos!  ;*

Obs: para encontrar a lista com todos os posts sequenciais, acesse nossa página: Sequences Combo!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Manual do aluno: bom de prova e gatuno! [9]

#9 - Apresentando trabalhos.

Esse tópico vai parecer mais severo que os outros, mas entenda, essas dicas tem como objetivo evitar constrangimentos (tudo isso baseado em experiências próprias!).

Caso vá apresentar um trabalho para a turma toda, fique nervoso. Sim, fique nervoso; se você estiver calmo demais, é sinal de que não entendeu a extensão da matéria que você tem de dominar para a apresentação.

Se você for do tipo de pessoa social ou debochada, deixe essa nuance de lado; e não, definitivamente não brinque com o público (salvo se a brincadeira estiver ligada a uma forma didática para a compreensão da matéria); interromper a apresentação com piadas desconexas do conteúdo só vai motivar a não-compreensão dos ouvintes e resultar em perguntas para você no final da apresentação (e com certeza você não deseja isso!).

Se você for uma pessoa tímida (meu caso), não se ponha de vítima: em hipótese nenhuma deixe sua voz cair uma oitava sequer; se você mudar sua voz para uma voz mais fraca, isso instigará o "instinto de predador" que existem nas outras pessoas; por mais animalesco que possa parecer, os espectadores sentem o seu medo SIM.

Sinceramente, cuidado com sua postura: não fique corcunda e nem se encolha de qualquer forma que seja; vá para frente, não fique nos fundos encostado na parede (a não ser que não seja sua vez de falar, neste caso, dê lugar ao seu colega)! Não fale miando. Em uma apresentação de trabalho, você tem que ser forte e ter jogo de cintura: vá lá para frente, estufe o peito, controle sua voz para que pareça mais confiante e fale; caso seja interrompido, seja cordial e, e se não souber a resposta de uma pergunta, seja sincero; um "não sei..." vale mil vezes mais que um "pelo que eu vi, acho que...".

Há professores que amam explicar o trabalho para você, para esses, simplesmente deixe-os falar e confirme; nesses casos, você pode se dar ao luxo de ter dúvidas e perguntar diretamente ao professor, sem que este lhe retire créditos da nota; trata-se de uma abertura para debate.

Em contrapartida, existem professores que adoram te corrigir ou testar seu jogo de cintura bem no meio da apresentação; em geral, eles o fazem das seguintes formas:

  1. Encontram erros de português em sua apresentação de slides e os anunciam para todos ouvirem. Nessa situação, simplesmente diga que foi um erro de digitação (a mais pura verdade, afinal, mesmo que você não tenha revisado o texto, você o escreveu, correto?).
  2. Corrigem a sua fala. Esse é uma versão aprimorada no quesito crueldade se comparada com o item 1; bem, não há muito o que fazer, se o professor tiver corrigido uma terminologia, faça questão de repetir a palavra e agradecer a correção, isso passará a idéia de que você compreendeu; depois da correção, tenha o cuidado de não repetir o erro e, se o fizer, se corrija imediatamente. Caso o professor lhe corrija a gramática, agradeça da mesma forma que a situação anterior. Existe, no entanto, a situação em que o professor corrige regionalismos ou gírias que "escapam" da nossa boca; aqui você tem que se pronunciar de modo menos gentil: não diga nada, encare o professor e continue sua apresentação como se nada tivesse ocorrido (o professor há de notar que teve um comportamento indelicado o suficiente para não receber resposta).
  3. Contestar coisas como a escolha do tema do seu trabalho. Eu, particularmente, acho uma completa falta de delicadeza do professor fazer esse tipo de pergunta aos olhos de todos, mas já que o fez (e já que não ofende tanto), simplesmente diga a verdade (vale até o "é que é um tema simples, fessôr!").
Para essas situações, sempre mantenha o nível e cuide de sua voz: o tipo de professor que faz esse tipo de "teste" costuma te avaliar mal se você vacilar.

Por fim, nunca ache que sua apresentação foi ruim: além de lhe desencorajar para um trabalho futuro, isso fará com que os outros colegas se sintam penalizados e, tenho certeza, você não quer ser o(a) coitatinho(a).

E, claro, nunca discuta com o professor durante a apresentação; mas isso faz parte muito mais da etiqueta do que do "manual para uma boa apresentação"


Oppa, em tempo, uma dica que aprendi com a Lady Gaga (ela mesma!  rsrs): Antes da apresentação, vá ao banheiro, faça seu xixi, se olhe no espelho e repita para você mesmo(a) "O que você está fazendo, se preocupando com um trabalhinho a toa desses? Você é *insira seu nome aqui* , bitch!! Agora você vai entrar naquela sala e mostrar porque você levantou hoje de manhã! *insira um palavrão aqui, se desejar*"

domingo, 8 de agosto de 2010

Manual do aluno: bom de prova e gatuno! [8]

Essa será rapidinha, já que é absolutamente óbvia!

#8 - Estudo e prova.

Se você não estudou para a prova, não vai adiantar de nada você rever o conteúdo segundos antes de receber a folha com o questionário. Eu particularmente só consigo estudar para a prova no dia dela, mas tenho de lembrá-lo(a) que eu estudo de tarde, portanto tenho a manhã inteira para compreender o conteúdo que, claro, já estava pré-mastigado em minha mente devido a minha atenção à explanação da professora.

A questão aqui é simples, por mais piegas que possa parecer: você quer realmente entender, ou vai decorar? Quem quer entender, estuda; quem quer decorar, não faz nada e, em contrapartida, esquece o conteúdo assim que responde as questões, não sabendo sequer discutir com seus amigos no pós-prova sobre o que errou.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Manual do aluno: bom de prova e gatuno! [6+7]

#6 - Não use intervalos de aulas para estudar ou fazer tarefas de última hora.

Sério, você vai perder a melhor chance que sua mente terá nas próximas 4 horas de relaxar.

Ah, você é do tipo que faz toda a tarefa em cima da hora nos intervalos das aulas? Então a dica 7 é para você:


#7 - Ah, esqueceu de fazer alguma tarefa/trabalho?

Não rabisque idiotices num papel velho e entregue; é uma atitude patética e infantil. Fique na sua, na hora de entregar o trabalho ou depois da aula, fale com a professora; acredite se quiser, mas ela vai te considerar muito mais se puder tirar uns 2 pontos da sua nota pelo atraso e receber algo bem feito de sua parte do que se você entregar uma folha cortada na metade, escrita a lápis e com a letra horrível só para "cumprir o prazo".

Uma coisa que aprendi: a memória das professoras é sempre gentil, se você fizer bem feito, elas esquecem o atraso, mas se você faz mal feito, elas vão lembrar por um bom tempo (o que faz com que você perca uma credibilidade importantíssima).

Em tempo: desculpas como "esqueci em casa" e "a impressora falhou" farão com que sua iniciativa de falar com a professora saia pela culatra, ela imediatamente vai te classificar como "irresponsável"; isso acontece pois você creditou uma falha sua a um fator que não depende exatamente da vontade, gerando um sentimento de desconfiança e descaso.

Seja sincero com seu professor, diga: "professora, eu realmente esqueci, será que você poderia me dar oportunidade de entregar na próxima aula?" ou "posso lhe enviar por email hoje de noite?", desse modo, você terá assumido a responsabilidade pela falha e se mostrado interessado com o assunto; neste caso, sua professora vai lembrar que você se importa mesmo se você atrasar o prazo denovo. Ah, é claro: dê a possibilidade do professor avaliar seu merecimento; caso perca uma nota, paciência, você mereceu.

Essas dicas podem até soar como um "manual para mentir para o professor", mas não o é, já que o que digo aqui parte de um pressuposto de que você realmente tem a intenção de melhorar. Sim, eu gosto de acreditar nas pessoas.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Manual do aluno: bom de prova e gatuno! [4]

#4 - Não combine de fazer trabalhos em grupo com os amigos; 

Sejamos francos, isso não dá certo, desculpem quem perde tempo fazendo-o, mas é regra: reuniu a galera, sai chá das 5.


"Ah, mas agente veio para estudar e..."

Epa! Corta aí; nem você mesmo(a) acredita que está indo se encontrar com seus amigos para estudar. No mais, o próprio ato de estudar só consegue ser produtivo quando se faz em solo; é questão de lógica, se você está sozinho, vai focar na compreensão do assunto e vai gerar seus próprios pareceres sobre o mesmo; ninguém aprende nada ouvindo as conclusões imediatas dos outros; quando muito, você pode tirar o princípio de sua própria compreensão da idéia dos outros; de qualquer forma, estudo é uma tarefa solitária, então, mesmo que vocês (o grupo) realmente estudem, vai ser como se estivessem sozinhos em suas casas. Que me perdoem os espaços abertos das bibliotecas, mas não funciona.

Quer uma sugestão? Faça o clássico: divida as tarefas de um trabalho e cada um que se vire com o possível.

Se você for do tipo perfeccionista, pegue a tarefa de organizar tudo e cate para si a menor - a mais ridícula e irrisória mesmo - parte do trabalho; acredite, por mais que pareça injusto, você sempre vai ter que praticamente reescrever tudo o que os outros fizeram; no fim, você trabalhará mais.

Caso você seja uma pessoa que gosta de fazer a sua parte e "se livrar", pegue logo o tema mais extenso possível; isso vai ser a maior mão na roda que você poderá fazer pelo seu grupo, uma vez que os outros (que são mais preocupados que você) estarão ansiosos demais para dar conta de uma parte tão grande da matéria (até porque provavelmente você não vai se mexer para montar slides/textos/achar vídeos, fazer a correção geral e cuidar da estética e coerência, correto?). Mas um detalhe: sente na cadeira e faça a sua parte! Pense que, quanto melhor você fazer a sua parte, mais tranquilo será o desenvolvimento do trabalho para todos, inclusive para você! Afinal, um grupo tem tendência a discutir, mas se a maior parcela do trabalho for bem feita, desentendimentos quase nunca ocorrerão.

Por fim: trabalhos podem muito bem ser feitos de última hora, desde que haja vontade e cooperação; eu em particular não consigo fazer um trabalho com antecedência, mas quando sento para fazê-lo, não saio da cadeira enquanto não o termino.


Ah, em tempo: sempre haverá os espertinhos que "trabalham" ou que "tem o cursinho" ou que "tem que ajudar a mãe"/"tem compromisso"/estiveram "muito ocupados". Eu vou frisar bem essa parte: não tenha dó dessas pessoas; veja se você concorda comigo:

Uma pessoa que ajuda seus pais, que trabalha ou tem capacidade para manter dois cursos ao mesmo tempo pode, minimamente, cumprir com suas responsabilidades, já que, presume-se, ela tem um tiquinho a mais de responsabilidade que você (que é apenas um estudante!). Se a pessoa está usando sua "tarefa extra" como desculpas para lagartear um compromisso, é mais que a hora de olhar nos olhos dessa pessoa e dizer "então, escolhe o que é mais importante para você; dependendo de sua resposta, você nem precisa fazer o trabalho... Trabalho esse que não levará seu nome, claro."

Porque da "crueldade"? Porque capacidade de compreensão tem tamanho: a minha é do tamanho de um alfinete.

sábado, 31 de julho de 2010

Manual do aluno: bom de prova e gatuno! [2+3]

#2 - Ponha uma coisa na sua cabeça: fim de semana não é lugar de estudo.

Não não, sem discussão! Já briguei com amigos por isso: fim de semana é FOLGA. Se você é do tipo que guarda o final de semana para a realização de trabalhos, você deve ser o mesmo tipo de pessoa que vive reclamando do quanto sua vida é difícil.

A questão aqui é que, se você deixa suas coisas para fazer no fim de semana, você perde oportunidade para botar as idéias no lugar e se divertir, então, sinceramente, na sexta, sábado e, as vezes, domingo, evite ao máximo sequer lembrar que você estuda; você vai ficar mais relaxado(a) e vai se sentir mais "de boa" para enfrentar a nova semana que está por vir; aliás, só para reforçar:

Porque diabos você não faz suas obrigações durante a semana? Quero dizer, você já está com o estopim aceso, para quê esperar ele apagar para começar a trabalhar?

Não diga que sua vida é complicada só porque você não tem organização com suas obrigações e, por isso, vive trabalhando; ninguém gosta de nhenhenhém dos outros; pode parecer que não, mas os problemas dos seus amigos são muito mais importantes para eles que os seus, o que me leva ao 3º passo, que é quase que fora do tema:


#3 - Não, nunca, em hipótese alguma, use os amigos de bode expiatório para seus problemas.

E essa não vale só para a escola não, meu(a) caro(a).

Ok, falar com eles sobre um problema que você tem, o que está te abatendo, é necessário! Mas hei, tenha uma coisa em mente: não, contar suas encrencas amorosas, doenças e vida escolar estressante não contribui para seu amigo te amar mais; essa carga é sua, meu bem; aos amigos resguarda-se apenas o necessário. Faça isso e não será taxado de vampiro energético, é uma dica importante: saber medir o tempo que você passa contando seus compromissos para os outros.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Manual do aluno: bom de prova e gatuno! [1]

A vida escolar (ou acadêmica) atrapalha, isso é um fato; as vezes eu me perguntava o porque de termos que estudar; a resposta óbvia é "para aprender!"; ok, sei disso, aprender é importante, wiska sachê. A questão é:

Porque a obrigação de aprender, no sentido de que a sociedade passou a exigir o aprendizado?

A resposta me veio assim, de graça, durante uma aula de História e Filosofia da Ciência:

O bicho-homem, de tão safado, percebeu que a natureza não ia deixar ele viver por muito tempo, então desenvolveu sua única habilidade: moldá-la aos seus padrões. O que ocorre é que o ser humano fez isso com tanta intensidade, que hoje em dia os jovens se vêem tendo de sacrificar trinta anos de sua vida aprendendo a viver no mundo humano; estranho, não?

E é com esse pensamento magnífico e simplista que eu vou falar sobre "como eu sobrevivo na faculdade"; trata-se de uma sequência de 10 posts, cada um com um ponto crucial no desenvolvimento de um bom aluno sem que esse sacrifique em nada seu modo de vida; afinal, sou jovem e não quero muito mais do que me divertir. Vai o primeiro, então:


#1 - Não sofra por antecipação;

Esse negócio de ficar sofrendo por um trabalho meses antes da data de entrega só vai te fazer criar rugas, e ninguém gosta de rugas. Esse passo é óbvio, mas um salvaguarda para os esquentadinhos de plantão: reclamar porque não quer fazer o trabalho ou porque está nervoso com a apresentação de um seminário é permitido!

De forma que, sim, você pode xingar o professor (apesar de não ser algo muito gentil...), só não pode é consumir suas endorfinas em detrimento de um compromisso que, inadiavelmente, vai ocorrer e que você pode, sim, estar preparado para ele!

terça-feira, 27 de julho de 2010

E essa vai para O RIM do chamado "humor brasileiro"

Escala de Gordon Allport; em azul, comentários meus.



Nível 1 - Antilocução
Antilocução significa um grupo majoritário fazendo piadas abertamente sobre um grupo minoritário. 
Como que amigos em um bar; uma Zorra Total da vida, entendem?

Nível 2 - Esquiva
O contato com as pessoas do grupo minoritário passa a ser ativamente evitado pelos membros do grupo majoritário. 
Como gente que pensa que vai virar gay se for amigo de gays ou que vai virar ladrão por conhecer ciganos, sabe?

Nível 3 - Discriminação
O grupo minoritário é discriminado, negando-lhe oportunidades e serviços e acrescentando preconceito à ação. 
E depois ainda dizem que os grupos minoritários são formados por vadios, gente sem escolaridade, que são abominações...

Nível 4 - Ataque Físico
O grupo majoritário vandaliza as coisas do grupo minoritário, queimam propriedades e desempenham ataques violentos contra indivíduos e grupos. 
A essa altura, algumas pessoas com pseudosenso de direitos humanos (mais inteligentes que a massa em geral), critica os agressores. "Os neonazistas deviam ser todos presos!"; concordo, mas não pelos mesmos motivos que você, eu vejo além; vejo que ninguém nasce neonazista, entende?
Hm... Se você for AINDA mais inteligente que os pseudodefensores dos direitos humanos, ou se você for um deles, deve estar começando a entender a dimensão do problema.

Nível 5 - Extermínio
O grupo majoritário busca a exterminação do grupo minoritário.
Eugenia, pura e simplesmente.

Você, caro leitor, entende agora o porque você contribui para a marginalização das minorias? A maioria das pessoas passam por todas essas fases, esses níveis, de preconceito contra quaisquer minorias, mas o fazem por falta de informação (são os chamados ignorantes, que ignoram a informação óbvia mesmo quando ela lhe é fornecida; são a maioria, não se engane). Há ainda as pessoas um pouco mais inteligentes, que se rebelam contra os níveis 4 e 5 (alguns tangem o 3), engraçado, no entanto, é notar que essas mesmas pessoas costumam defender o humor escrachado, o humor "brasileiro" e, pior, chegam a defender o nível 2.

Ah, você ainda não entendeu o que Gordon Allport fez? Simples: ele desenhou para você, ele desenhou para que você entenda que VOCÊ também é um agente do preconceito. Vai se policiar, agora? Espero que sim.

É isso que diferencia você de um ignorante ou uma pessoa-que-pensa-não-ser-ignorante-mas-que-na-verdade-É! Entendam, não existe ditadura ou totalitarismo de minorias, mas sim, uma ignorância imensa das maiorias, que insistem em não perceber que tudo o que fazem "de inocente" tem um preço alto a ser pago no futuro, é sim, uma bola de neve; então que não dêem o primeiro empurrão. Precisa de um exemplo? Bem:

Panacas como Danilo Gentili costumam se esconder por detrás de uma pseudoliberdade de expressão para fazer seu humor "politicamente incorreto"; as pessoas realmente não sabem o que significa "liberdade de expressão"; então eu explico: significa poder de se expressar livremente desde que não fira o direito das outras pessoas; no caso, se você é um formador de opinião, se expressar contra um assunto pode configurar crime premeditado, já que você está incitando o crescimento da escala Allport (lembram do nivel 1?); trocando em miúdos: sua piadinha inocente está ajudando a crescer o nível de preconceito e, como vivemos em uma sociedade heteronormativa, patriarcal, burguesa, de descendência européia e com propensão ao não-freamento de condutas discriminatórias, você pode sim, estar matando alguma pessoa em algum lugar do Brasil.

Radical? Sim, pois é de vidas que estamos falando.

Pense, mas pense mesmo; eu nem comecei a falar sobre o assunto e você já deve estar querendo me calar ou discordar dos meus argumentos, julgando-os levianos. Acredite, eu ainda nem comecei a desmascarar a sociedade e seus preconceitos.

domingo, 25 de julho de 2010

Obscuridade e neovitorianismos

Esse post é meramente imaginativo, e como todo post assim, vai soar com estranheza aos ouvidos de muitos; se quiser arriscar, que comece a ler. Antes de tudo, gostaria de dizer que esse texto nada conclusivo - sequer informativo - foi motivado pela minha recente volta a antigos gostos; antigas músicas, antigos artistas; um mais deliciosamente fascinante que o outro; se tudo der certo, falo sobre algum deles no próximo post.


Falando sobre o que é "vitoriano", basta que se saiba que é tudo aquilo que compreende o período em que a Rainha Vitória esteve no comando do Reino Unido, entre os séculos XVIII e XIX. Período conhecido pela exuberância voltada a vaidade e ao luxo; a época em que a etiqueta européia alcançou um nível gritante e insuportável a ponto de pôr a loucura qualquer um e, também, uma das eras da história cuja estética é perpetuada - embora que em releituras modernas - até hoje. Há certamente uma postagem sobre essa era em meu baú particular de posts ainda não utilizados, então a calma se faz necessária. Agora, quanto ao assunto:

Quando eu falo sobre "obscuridade", estou em verdade me referindo a estética artística denominada neo-vitoriana - geralmente representada mais ativamente pela tribo gótica. Sim, eu amo essa forma de expressão; para mim, o modo mais puro. Mas porque o amor por algo tão marginal?

Eu gosto de culturas que permeiam o óbvio, mantendo-se longe dele; é assim que me apaixono: com base na diferença, do mais singelo gesto à mais apurada discussão sobre o que é ou deixa de ser "arte". Amo a controvérsia e tudo que ela carrega consigo; a transgressão, a liberdade (que, sim, é muito mais próxima da libertinagem do que pode supor a classe média de descendência européia).

Amo o agressivo, gosto dos gritos, das vozes distorcidas e da batida mecânica do rock industrial; gosto da interferência de elementos clássicos em músicas escabrosas; amo esse suspiro, esse modo destruidor de gritar para o mundo o quanto somos sensíveis e gentis, elegantes e bem resolvidos.

Ora, mês passado eu soube que iria acontecer um picnic vitoriano em Florianópolis; pensei seriamente em ir, mas agora, por mera negligência minha, está em cima da hora demais (ao que parece, o pessoal teve de apressar os preparativos para não perder o frio do inverno!). Como posso arranjar uns coletes? Relógios de bolso? Sobrecasacas? Luvas? Sapatos? Não, agora é tarde para pintar meu rosto de branco e meus olhos de bege; minhas falsas olheiras terão de esperar uma próxima vez; tal como minha postura aristocrática e toda a parafernália interpretativa que inclui ser um personagem neo-vitoriano.

Um alter-ego? Não. Muitos não entendem, mas não existe alter-ego neovitoriano; o personagem é, em verdade, o que usamos no mundo comum; o que realmente somos é sim, nosso Elegante, Gótico e Aristocrata Senhor (ou senhora, ou ambos).

Não vou ditar o que um aristocrata precisa ser, isso cada um carrega consigo, mas uma coisa que a maioria de nós partilha é o amor pelas trevas, pelos semblantes que, de tão brancos, são impossíveis, doentios, desumanos e, exatamente por isso, tão belos. Meu amor por esse aspecto cresceu comigo, embora eu me renegasse a tê-lo até alguns anos atrás; sim, eu me lembro o quanto eu gostava de vitorianismos desde criança; sei de uma fase minha em que, quando infante, saí por Orleans procurando por algo parecido com uma cartola; queria uma bengala também, sempre tão elegante! E luvas de couro, o que mais uma criança em processo de autodescobrimento aristocrático poderia querer? Sinto necessidade constante de me sobrepor, mas não da forma afável.

Sim, amigo(a); sou um daqueles loucos apaixonados, entregues, prontos, que amam a sublimidade arrepiante, que vê a mais sincera beleza em uma rosa negra, que se realiza ao vestir uma sobrecasaca ou um espartilho (masculino ou feminino, tanto faz, gênero é algo para personagens sociais, não para nós!). Somos tudo! Os mais incoerentes, os mais belos! Carregando consigo todo o peso da elegância e da nobreza mais vibrante de uma época que se foi, com a versatilidade e vontade de viver dos tempos modernos. Somos sim, gritamos, falamos, gargalhamos, sempre com a postura ereta e com a certeza de que, ao menos por alguns instantes, poderemos deixar todo o resto para trás, ironicamente, relembrando o passado.

Sim, somos jovens - ou nem tanto, a cabeça é uma verdadeira anciã, libertária, mas anciã - e mergulhados na escuridão; lá dentro, na treva, podemos ver absolutamente tudo o que está iluminado ao nosso redor. Me parece tão piegas falar desses temas, quase infantil; mas entenda, minha admiração é tal que, nem com palavras, consigo expressar; no fim, sou só um péssimo escritor com uma mente muito estranha; só. E de tão estranha é a minha mente, ela chegou a ousar ser verdadeira, veja só!


    "[...] E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
    No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
    Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
    E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
    Libertar-se-á... nunca mais!"
    TRECHO TRADUZIDO DE "The Raven", ORIGINALMENTE ESCRITO POR EDGARD ALLAN POE

sábado, 24 de julho de 2010

Pokerholic - o vício que eu quase consegui ter


Ocorre que sempre foi um desejo bastante íntimo de minha parte querer aprender a jogar poker; não se trata tão somente de um jogo com toda uma simbologia envolvida, mas também se entrelaça com um certo status que, embora não tão puro, é operante. Penso que provavelmente tenha algo a ver com aquela velha história já citada por mim: boemia.

Ok, o que o poker tem a ver com boemia? Absolutamente tudo! Ora, se há poker, certamente há ao menos um sujeito maltrapilho, ao menos cinco garrafas vazias de uma bebida qualquer e, claro, a usual nuvem de fumaça nicotínica que abraça a todos sob o manto da transgressão autodestrutiva. Oh, parece estranho falar em autodestrução, correto? No meu modo de ver, autodestruição está muito mais ligada, por exemplo, a se domar aos valores socialmente óbvios do que, de fato, ser adepto de alguma cultura extrema. Não pense, porém, que sou adepto ou que gosto de drogas, bebida, cigarro e coisa pior: os odeio, eles simplesmente não combinam comigo; mas há quem goste.

Penso que vícios devem ser administrados de uma forma mais elegante possível. E por elegância, já dizia Paul Válery, lê-se "a arte de não se fazer notar, aliada ao cuidado sutil de se deixar distinguir". Entende? Por exemplo, Chacrinha, até onde se conta, era um grandessíssimo viciado em drogas, mas nem por isso se deixou consumir a tal ponto que os outros que o queriam bem pedissem que parasse.




Bem, deixamos os -holics da vida para outra postagem, já que o assunto rende bastante. Aqui é sobre poker!

Como eu dizia, sempre quis aprender a jogar poker, e, confesso, ultimamente tenho tentado gravar as regras, me familiarizar com as jogadas; não deu certo, absolutamente.

Porque eu simplesmente não consigo aprender as regras? Porque sou neurótico, óbvio. Fico tanto tempo pensando no possível blefe que o jogo exige, que termino blefando para mim mesmo que já consegui gravar uma ou duas jogadas; mentira pura. Engraçado que só consigo blefar para mim mesmo.

Já me viram mentir? Bem, é patético, eu simplesmente fico vermelho na primeira palavra! Sabe, existem estratégias que o cérebro masculino e feminino costumam adotar para mentir; os homens normalmente se embasbacam totalmente, inventem coisa demais. Mentira de homem:

Amor, onde você estava até essa hora da noite??
Oh querida, você não vai acreditar! Eu estava voltando para casa quando apareceu um porco voador e eu o segui até Chicago; quando notei, havia sido sequestrado pela máfia italiana dos porcos salames fritos voadores e fui deportado para o Brasil novamente só para ter que salvar trezentos e setenta e sete crianças de um abrigo em chamas!
Ah sim, claro, e a marca de batom na camisa é por...?
Hã... porcas gostam de batom? *sorriso de orelha a orelha*

Oh, se você é mulher deve estar se deliciando com o frágil senso de blefe de nós, pobres homens; eis que vocês definitivamente não são menos patéticas; mulheres ao mentir sempre, reforço o "sempre", fingem que estão ocupadas:

Amor, porque você chegou tão tarde ontem a noite?
*finge que não ouviu e se senta na mesa de jantar, carregando uma pilha de papéis qualquer consigo* hã?
Onde você foi ontem a noite?  ¬¬
Ah, eeeeu... *começa a fingir que está procurando algo entre os papéis* eu saí! Satisfeito?
E porque o perfume masculino que não é meu na sua blusa? ¬¬
Ai, isso? Isso é que *empilha os papéis* AH VÁ, NÃO TÁ VENDO QUE EU TÔ OCUPADA, MIMIMIMIMI *roda a baiana e se coloca como vítima*

Não não, isso não é guerra dos sexos, é só para ilustrar meu magnífico método de blefe, que envolve o exagero infantilóide masculino aliado à fingida desatenção e, seguidamente, o barraco das mulheres. E tudo isso para dizer: eu sou biologicamente proibido de jogar poker, do contrário, algumas mesas iriam voar no processo. Pokerholic, isso eu não sou! E isso é bom? Sei lá!


Só isso? É... Pra evitar a fadiga! rsrs

quinta-feira, 22 de julho de 2010

XOXOXOXO SARAVÁ!

Vou contar para você do segredinho do meu inegável sucesso (sim, vou me iludir a esse ponto  rsrs)

Ok, sem brincadeiras agora! Hã... Pensando bem, com brincadeiras, por favor - já que o assunto deste post é uma completa piada. Vim falar de um site muito bacana que conheço faz algum tempo: o magnífico Macumba Online!
Clique na imagem para ir até o site.
Ok ok, ria, pode rir, é esse mesmo o ponto. Esse site tem como único objetivo a criação de macumbas cibernéticas pessoais para os mais diversos fins; a gama de macumbas vai desde uma inocente "emagrecer" ou "ficar bonito(a)" até umas bastante trágicas, como "amaldiçoar" ou "fazer contrair lepra"; para criar uma macumba você precisa de uma conta no site (que é gratuito) e, no processo de criação do trabalho, existem algumas opções bem perversas como a opção de "tornar a macumba particular" de modo que ninguém saiba o motivo pelo qual você está operando  rsrs.

Uma vez que você tenha sua quizumba montada, ela aparecerá para você com várias informações (que também aparecerão a qualquer outro, basta que você selecione a opção de "tornar a macumba pública" em sua criação). A sua intenção maléfica (ou nem tanto) terá níveis, começando no nível 1; aí é que mora o grande lance do site: você terá de angariar votos para que sua macumba evolua de nível e, claro, de potência! HOHOHO

Aliás, se você estiver registrado, poderá "chutar" a macumba alheia, o que é sempre um processo perversamente divertido. O voto para ajudar o trabalho alheio é chamado de "fortalecer a macumba"; eu sou suspeito para falar, mas sempre caio no riso toda vez que leio essas expressões de voto  rsrs.

É um site bastante divertido, dá para rir com os amigos e, mais que isso, ele é dotado de um humor negro persistente, constante e absoluto; para se ter idéia, a área "simpatias" do site está em construção desde que ele foi lançado (e já deve fazer alguns anos!); entenderam o lance da coisa? Afinal, quem vai querer fazer uma simpatia quando pode muito bem, sei lá, fazer seu chefe engordar? rsrs

Pois bem, cidadãos(ãs), que tal botar vossos sapos e agulhas para funcionar, mesmo que de brincadeira?

terça-feira, 20 de julho de 2010

Em tempo:

Simplesmente não consigo parar de ouvir!


Mulheres que lêem mãos

O presente post é um delírio dos mais antigos e mais incoerentes que já tive; no que se refere à idéia geral, é tudo muito subjetivo, ou você entende ou não; de qualquer forma, não pretendo me aprofundar no assunto; basta que saiba que a motivação para escrever sobre o assunto partiu de uma aclamada leitura minha: o mangá xxxHolic; mais precisamente, sua personagem principal, Yuuko (imagem ao lado). Algumas coisas só podem ser entendidas em sua plenitude quando você se entrega ao assunto, mas como disse, são só confabulações quase inocentes sobre um tema terrível; aproveite o que puder, se quiser.

Ao pensar em mulheres que lêem mãos, naturalmente, você ligará o assunto a dois ramos específicos do misticismo, coisa que acontece pois somos uma geração bastante estereotipada mitologicamente - mas vá, faz parte do nosso show - e, tanto ciganas como bruxas nos são conceitos bastante batidos, embora o primeiro ainda tenha uma certa pureza, sendo o segundo impregnado de Harry Potterismos; aliás, por falar em JK. Rowling, quando lembro da saga bruxolesca, me vem apenas cinco coisas à cabeça:

  • "Caraminholas na cabeça, Sr. Potter?"
  • "... Deixe que durma, pois nos sonhos entramos em um mundo inteiramente nosso; deixe que ele mergulhe no mais profundo oceano ou flutue na mais alta nuvem..."
  • "Tempos difíceis estão por vir, tempos em que teremos que saber distinguir o que é bom e o que é fácil..."
  • "Para uma mente bem estruturada, a morte é apenas o começo da aventura seguinte..."
  • "Oh, que pena... Cera de ouvido!"

O motivo de eu ter grifado essas frases foi meramente filosófico, eu simplesmente não podia deixar de pontuá-las. Talvez você perceba o que há de interessante nelas ao chegar no fim do texto.

Voltando ao ponto, as ciganas, donas dos famintos olhos oblíquos e dissimulados, quase sempre verdes - mas por vezes mais negros que a mais profunda treva - esmeraldinos e descarados; mais que isso, felizes, indubitavelmente felizes dentro de si mesmas. Eis a visão estereotipada da qual eu falava, mas ela me serve aqui pois vou falar, não de ciganas, mas da Sorte.


Você acredita em adivinhação de Sorte? Ora, eu sim! Embora também acredite que adivinhos verdadeiros não cobrem muito mais que um olhar sincero. Penso que muito belo deve ser o ofício de saber o que ocorrerá com o outro; um contrato mudo e nada mais; uma troca de olhares, uma percepção mil; está feito. Embora as palavras não sejam enlaçadas pelos três destinos, elas foram proferidas e inegavelmente irão conduzir a vida do ouvinte; sempre.

A Sorte é instrumento complexo, mas como sabem, ela nunca esteve e jamais estará em nossas mãos, entretanto existe algo que controlamos e que pode sim dar uma reviravolta visceral nesse elemento primordial: as palavras. Dentre todos os elementos que amarram o ser humano, a palavra é a única corrente solta, livre, tão livre; e se a palavra é tão libertina, é porque foi criada pelo homem, nunca pela natureza; e ela apenas permitiu a existência da palavra, talvez por pena. Há de alertar, portanto, que aquele que se lança no caminho da Sorte deve escolher bem suas palavras.

Existem pessoas que, entretanto, não vêem limites para suas palavras, e esses são nós, escritores, artistas, verdadeiros gigolôs do vocabulário; lançando mão de nossas palavras, explorando o mais profundo poço de delírio, cada psicose, cada gota de mel e cada veneno; nós, meu amigo(a), somos todos grandes libertários, grandes ignorantes - preços não nos compram - mexemos com fogo, usamos nossa corrente solta para açoitar as outras correntes; sádicos, sim. E por isso nos submetemos à Sorte e ao preço equivalente de nossa expressão; palavras são caras.

Não, não me entenda mal, não estou fazendo um discurso controlador, mas sim, um discurso de pura fantasia; recomendo sim que usem suas correntes soltas; aliás, é isso que falta ao mundo. A sociedade já usou as palavras para machucar demais a si mesma, basta. Ei de notar o quanto o delírio nos é precioso e, por isso, vai ver o quanto o mundo precisa que voltemos a sonhar. Quando uma de nossas amarras se soltou, usávamos ela para se entrelaçar entre outras cordas do destino e assim, sonhávamos com mais frequência, sonhos lindos. As Moiras nos amavam, estávamos no ventre delas.

Sim, escrever é transgressão e sim, há um preço a ser pago, mas nem todo preço é ruim; alguns preços nos dão frutos vitais; um exemplo: nós seres vivos sabemos muito bem que oxigênio é um gás absolutamente tóxico, mas preferimos usá-lo mesmo assim, sob a certeza de perecermos oxidados ao fim da vida, mas com igual sabedoria de que, com mais energia, faremos nossa curta vida valer a pena.

Há ainda aqueles que lançam suas correntes sobre si mesmos; mas me diga, senhor(a), o que você pensa sobre ler a própria Sorte? Acha prudente? Ler e ser o próprio destino? Ei-la.