Mostrando postagens com marcador #shine. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #shine. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

BANG BANG!


Estava demorando para eu falar de Lady Gaga por aqui, mas entenda, eu tenho tanta coisa para falar sobre ela; tanta coisa que tantos fãs não sabem ou não entendem! Em verdade, se eu começar a discursar sobre nossa Freak Dirty Woman, vou fazer uma verdadeira biografia não autorizada da moça; então hoje vim falar somente do balanço irresistível que me faz dançar!

Todos sabem que Gaga teve - e ainda tem - uma carreira astrológica, com singles atrás de singles, todos emplacados entre as melhores músicas de suas datas, sendo que alguns conseguiram recordes inimagináveis; dentre todos eles, talvez o que mais lhe venha na cabeça é Pokerface (que, diga-se de passagem, é um marco absoluto, sendo a música com download pago mais baixada da história da Internet); sim, é fato, você deve se lembrar bem de todos os singles mais estrondantes de Gaga; e vai a lista:

  • Just Dance;
  • Pokerface;
  • Lovegame;
  • Paparazzi;

E do segundo álbum:

  • Bad Romance;
  • Telephone;
  • Alejandro;

Então, se você é maioria nesse assunto, você conhece 7 singles, mas, pasme, Gaga tem 10 singles! E quais seriam essas três músicas absolutas que não emplacaram tão bem? Oh, é claro, as minhas preferidíssimas: Beautiful Dirty Rich; Eh eh (nothing else I can say); e mais recentemente, Dance in The Dark (e essa, eu espero SINCERAMENTE que emplaque totalmente, porque é uma das melhores músicas!).

Hoje vim falar sobre Beautiful Dirty Rich; então, sem mais delongas, veja o clipe:


E o que temos? Uma Lady Gaga situada logo após Just Dance, na sua forma mais conhecida: com seu cabelo liso platinado cortado em uma franjinha impossível que só termina ao tocar a raiz dos cílios. O glamour on drugs que ela passara em Just Dance havia ficado para trás e agora Gaga estava se trabalhando mais enquanto artista performática; em Beautiful Dirty Rich, vemos uma cantora com um visual inusitadíssimo e com um objetivo claro: música boa para ouvidos nada treinados!

Sem dúvidas, para mim, BDR (Beautiful Dirty Rich) foi um marco na minha história pessoal com a música pop; de repente, tudo fazia sentido: aqueles toques de piano aparentemente (só aparentemente) jogados de qualquer modo na música; aquele timbre improvavelmente alto dela ao cantar "BANG BANG!"; aquela chapéuzinho-vermelho crescida, fashionista e que fuma dinheiro enquanto usa sapatos de látex amarelo-canário, com suas ombreiras e sua voz gritando para quem quisesse ouvir que ela era LINDA, LINDA E PODRE DE RICA!

Tudo isso fez com que eu me sentisse realmente parte da máquina motora do mundo pop, a própria música exige um estilo de dança completamente diferente do que se costuma ver em baladas e que o clipe retrata muito bem: não é uma dança, é o ato de fazer repetidos carões com movimentos descordenados das pernas, um verdadeiro culto à uma drag anônima, decadente e desajeitada e que, ainda sim, consegue brilhar.

Quanto à letra, parece muito com as letras que Madonna ou qualquer outra platinada do pop usaria; exaltando um nível de status social egocêntrico e extremamente exclusionista, mas que quer ser desejado (e é!); mas as pessoas não entenderam ainda: Gaga é absolutamente sarcástica em suas letras, ela ama o glamour e o mundo pop, mas ao mesmo tempo, o odeia! Descobri o real significado de Beautiful Dirty Rich por intermédio de, pasme, Cindy Lauper, que é grande fã da música; na ocasião, Cyndi disse que ficava simplesmente pasmificada ao ver os jovens na balada hoje em dia; "é como se eles não tivessem emprego ou responsabilidades; eu não entendia isso!" e então, segundo a própria Cyndi, ela ouviu essa música de Gaga e tudo passou a fazer sentido: de repente, a música não falava sobre egocentrismo e busca desenfreada por riquiza e beleza, mas sim, sobre o comportamento dos jovens na balada e o modo como eles se vêem:

"Daddy I'm so sorry, I'm so so-so-sorry yeah; we just like to party, like to pa-pa-party yeah! BANG BANG! We are beautiful and dirty rich!"

Você consegue entender? Pois é exatamente o que você faz toda vez que vai para a balada; e seus pais que lhe desculpem, mas você quer ir e, DE REPENTE! (bang bang!), você chega lá e não importa onde você vive, quanto ganha ou o que faz da vida, não é necessário saber isso porque lá você se sente lindo, lindo, lindo e podre, muito podre de rico!

Entenda você ou não, esse é o legado da nossa geração, a capacidade de nos amarmos de forma tão egocêntrica e nada orgânica; e isso é ruim? Não. É apenas uma nuance.

E isso tudo só vai fazer sentido se você ouvir a música; sim, ela me cativou, Gaga me capturou inteiramente com seu estilo podre de rico, ela é a personificação do legado da nossa geração: é podre, é copiadora, recicladora de idéias, incoerente, bem informada, loira, ruiva, morena, de pele branquinha ou com um bronzeado artificial laranja; por vezes um mulherão, por outras uma frágil mulher desajustada socialmente. Gaga somos nós, monstrinhos, e ela pede que a chamemos de monstro também, pois é esse o espírito da nossa geração: libertação através do amor e da estranheza.

BANG BANG!

Ah, em tempo, se você, assim como eu, conseguiu captar o esquema da música, deve estar se perguntando "se foi depois de Just Dance, porque eu nunca ouvi antes?", simples, pois a música foi lançada praticamente ao mesmo tempo que Pokerface, então Beautiful Dirty Rich ganhou um clipe e um destaque como e-single (que é um single voltado para venda via internet), tornando-se apenas um coadjuvante da conhecidíssima Pokerface; ou você achou que Gaga iria usar o mesmo cabelo por dois clipes seguidos a toa?  ;D


Podres, podres, muito podres de ricos! Nós somos!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sylvester me ensinou a ser Disco

Eu estou a basicamente uma hora olhando para essa página em branco e simplesmente não sei o que escrever; o título está ali, a idéia está na cabeça, mas como por em palavras uma admiração tão absoluta sem parece que estou catequizando o leitor? Por outro lado, catequese não é necessária, pois atire a primeira pedra quem nunca dançou ao menos uma música de Sylvester.


Sylvester James, negro, gay, afetadíssimo, foi pobre e contraiu AIDS ao fim da vida. Um dos maiores nomes da disco music.

Repare que eu não usei o "mas" ao falar de Sylvester, coisa que teria acontecido com muita gente; não o fiz porque tenho respeito na cabeça e sei que ser negro, gay, afetado, pobre ou aidético jamais precisará de algum tipo de compensação para que se anule alguma dessas características, já que nenhuma delas é, em absoluto, um defeito, mas uma nuance de um ser. Ou estaria você sugerindo que o vírus da AIDS só infecta quem o almeja? Ou ainda que as pessoas "viram" gays? Que alguém nasce pobre porque quer, que pobre não pode ser feliz? Que os trejeitos de uma pessoa medem seu caráter ou representam depreciatividade, quaisquer que seja?

Pois bem, sei que as respostas foram negativas pois sei que estou tratando com humanos de calibre; aliás, uma nota rápida: é deplorável que tenha de haver essa diferenciação entre "gente burra" e "gente com cabeça", mas há, e isso sim, é passível de preconceito, pois ignorância é facilmente tratável (com boa vontade e leitura) salvo raríssimas excessões de falta de oportunidade (a esses não devemos destinar pena, mas ajuda).

Tudo bem, essa introdução toda me aqueceu o cérebro, agora, foco: Nascido em 6 de setembro de 1947, Sylvester James viveu em condições precárias no início de sua vida, vindo de uma família simples, foi incentivado a cantar por sua avó, que era cantora de jazz. Como a grande maioria dos rapazes gays da época, ele enfrentou uma adolescência conturbada, não da parte dele, mas da parte dos pais (como ainda é costume hoje); dada certa ocasião, Sylvester fugiu de casa - aos 16 anos - e se mudou para San Francisco.

"Minha vida começou quando fui para San Francisco" - Sylvester

Sua carreira realmente começou a ter significado quando se juntou ao grupo de drag queens The Coquettes (que influenciaram o famigerado grupo brasileiro "Dzi Croquettes", tema sobre o qual Zeca Camargo desenvolve lindamente). O tempo que separa Sylvester do verdadeiro sucesso aconteceu depois do fim do grupo Coquettes, quando ele enfrentou uma série de tentativas, algumas parcialmente bem sucedidas, se assinar com uma grande gravadora. Finalmente, em 1977, Sylvester assinou com a gravadora Fantasy Records, mas foi só no segundo álbum de Sylvester emplacou de vez como um dos maiores nomes da disco music.

Disco's Queen, assim era chamado.


Ora, a essa altura você já deve (ou deveria) estar se coçando para ouvir uma música dele, correto? Eis o problema: você já ouviu uma música dele; não só ouviu, como esgotou seus ouvidos de tanto ouvir e, tenho certeza, até remexeu seus quadris ao som dela. Sim, Sylvester teve muitos sucessos, mas nada, nada superou seu grande orgulho, uma música que até hoje é obrigatória em qualquer festa que se preze; uma que, em minha singela opinião, compacta todo e completamente o universo disco em meros 5 minutos.

Sylvester me ensinou a ser Disco, ele me mostrou nuances de uma geração maravilhosa, transgressora no mais puro sentido da palavra; uma geração, tão contrária à nossa, sem medo. Uma geração que pintava seus rostos e saía para a rua protestar e, na noite seguinte, montava em suas plataformas e se acabava nas boates. Uma geração que não se preocupava com números de parceiros em uma única noite, mas com o ritmo da música que os embalava e, claro, poderia conduzir a momentos a dois (mas isso era detalhe). Globos de vidro já não significam nada, já que não somos mais capazes de nos olharmos no espelho.

Oh sim, você quer ouvir Sylvester denovo, correto? Pois aproveite, com a promessa de que jamais esquecerá o nome de quem ele foi, pois poucos conhecem o dono deste diamante musical: You Make me Feel Mighty Real - Sylvester James.



Opa, não satisfaz, correto? Que tal mais dois sucessos, para dançar mesmo, na frente do pc, como um bom amante da Disco? rsrs

Dance (Disco Heat)
Do You Wanna Funk

terça-feira, 20 de julho de 2010

domingo, 18 de julho de 2010

Madeleine Peyroux e seus encantos

Bom, eu estou cozinhando essa cantora há um bom tempo, para não dizer anos; a verdade é que hoje venho aqui fazer uma recomendação que, tenha certeza, é das mais refinadas possíveis!

Não sei se você teve conhecimento, mas houveram shows da Madeleine Peyroux no Brasil no mês passado e fica aqui minha total e completa recomendação, mesmo que póstuma à passada da diva por aqui!

Mas quem seria Madeleine Peyroux? Ela é uma cantora norte-americana, criada na França; iniciou sua carreira musical com apenas 15 aninhos nas ruas de Paris e tem como referências os trabalhos de: Billie Holiday, Bessie Smith, Patsy Cline e Édith Piaf.

Puff, só por isso ela já seria digna de respeito, né? rsrs 


Seu primeiro álbum teve estréia em 1996 e se chama "Dreamland"; aqui já fica claro (para quem saca o assunto) que se trata de uma mulher com tendência musical fortíssima para o antigo jazz e blues (talvez com uma pitadinha de soul, para animar!).

Depois de lançar seu primeiro álbum, Madeleine teve sérias complicações vocais e terminou se ausentando por um tempo dos palcos. Tempos depois, talvez por timidez, voltou a cantar nas ruas usando pseudônimos e daí a se sentir apta a uma nova empreitada segura se passaram 8 anos.

Em 2004 retornou sua carreira profissional com influências extras que deram absurdamente certo: agora, ela faz uma mistura peculiar de jazz, blues, folk e música francesa, rendendo-lhe um som que os nossos ouvidos simplesmente não conseguem resistir!

Quanto à vinda dela para cá, não é a primeira vez que a musa passa pelo Brasil, e, inclusive, ela visitou o Programa do Jô na sua primeira vinda, ocasião em que demonstrou totalmente sua educadíssima e refinada simpatia, sempre sorrindo e brincando, tudo com muita elegância e usando sua já consagrada voz suave e pacífica que contrasta com a imagem de mulherão que ela tem.

Então, cidadão(ã)! Essa diva da boa música passou pelo Brasil para divulgar o novo trabalho: Bara Bones; e pintou em 4 cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre. Para a minha infelicidade, eu não pude comparecer a nenhum dos concertos, mas vá, ela vai voltar, tenho fé em Oxum! rsrs

Este é um post mais geralista, vim só apresentar a artista a você, mas pretendo fazer uma review do álbum Bara Bones assim que eu conseguir botar as mãos em uma cópia! Por hora, recomendo aos interessados ouvir algumas músicas clássicas dela, como por exemplo: 

  1. Lonesome Road 
  2. Smile
  3. I'm All Right

E é isso, fica minha super dica para uma experiência de diversão, boa música e jazz num estilo bem francês. Espero que seja útil para alguém =D